Casal de motociclistas percorre a Rota 66 em uma Harley-Davidson

  • Eric Ferreira – Diario de Pernambuco

    Publicação: 15/07/2012 00:01 Atualização: 13/07/2012 18:25

    O empresário Mário Carlini, 56 anos, só conseguiu descrever aquele momento como “o dia em que realizou seu grande sonho”. No mês de maio, acompanhado de sua esposa, a também empresária Leonor Funari, no lombo de uma Harley-Davidson Electra Glide, de 1.800 cc, o casal cruzou a estrada americana que é considerada uma lenda entre os amantes de velocidade: a Rota 66. “A estrada e a moto são dois mitos. A sensação de estar lá, percorrendo aquele asfalto, é indescritível”, afirmou Mário, durante a entrevista, com o olhar de quem fala de um grande amor.

     (Arquivo Pessoal/ Divulgação)

    A relação de Mário com as duas rodas começou ainda na adolescência. “Tinha dado uma parada. Com a vinda para o Recife, vi a possibilidade de voltar ao motociclismo, pois o clima e o trânsito são melhores do que os de São Paulo”, aponta. A esposa diz que, apesar de não pilotar, não vê problemas em dividir a paixão do marido com o motociclismo. “Isso é natural do casamento. Aceito os gostos dele, ele aceita os meus e vamos vivendo muito bem”, conta Leonor.

    Mário, que é paulista mas já se considera pernambucano após 12 anos de moradia na terra do Leão do Norte, vinha programando a viagem há um bom tempo. “Da mesma forma que todo jogador de futebol quer jogar na seleção, todo motociclista quer fazer a Rota 66. Ela é comum, uma pista com vegetação ao lado, mas tem uma história e uma importância cultural como nenhuma outra no mundo”.

    Toda a viagem foi feita no lombo de uma Harley-Davidson Electra Glide (Arquivo Pessoal/ Divulgação)
    Toda a viagem foi feita no lombo de uma Harley-Davidson Electra Glide

    Apaixonado pela marca Harley-Davidson e proprietário de uma Heritage, o empresário realizou seu sonho em uma moto alugada pela empresa que organizou a viagem. “A máquina já vinha no pacote. Fizemos todo o percurso acompanhados de 14 brasileiros. Foram 2.500 km, de Los Angeles até Las Vegas, durante 10 dias. Diariamente, fazíamos um caminho de mais ou menos 400 km. À noite, ficávamos na cidade pela qual estivéssemos passando”, conta. “O que importa para o motociclista não é o destino e, sim, como ele fará a viagem, no caso, pilotando uma motocicleta”.

    No final das contas, o investimento da viagem valeu muito a pena. Quem faz o balanço é Leonor. “Estava receosa antes de ir, porque o calor era muito grande. Não sabia como o corpo reagiria. Lá, pegamos mais de 40 graus, mas o trajeto foi tão bem planejado e divertido que compensou tudo. Repetiríamos a viagem de tão boa que foi”.

    E, pelo que parece, o casal foi um dos primeiros representantes pernambucanos a passar pela Rota. Ao chegar a um bar em que os turistas marcam, num grande mapa do mundo, o local de onde vieram, Mário e Leonor perceberam que nada marcava Pernambuco. “Não acreditei quando vi. Já nos sentimos pernambucanos e tratamos logo de colocar o primeiro sinal de que alguém da nossa terra esteve ali”, frisa Mário.

    No mapa do mundo, Mário foi o primeiro a marcar Pernambuco (Arquivo Pessoal/ Divulgação)
    No mapa do mundo, Mário foi o primeiro a marcar Pernambuco

    E já existem planos futuros para voltar às estradas americanas. “Estamos marcando com o mesmo grupo de motociclistas para, no ano que vem, fazermos a chamada Rota do Blues. Ela se assemelha à 66, só que passa pelos pontos mais significativos do estilo musical. Já estamos ansiosos”, diz Mário.

    Sonho possível
    A odisseia vivida por Mário e Leonor pode ser repetida por quem estiver disposto a pagar pelos pacotes turísticos oferecidos por agências de viagens. Empresas do Sul e Sudeste do país já possuem a Rota 66 como um dos destinos mais procurados. A média de preço por pessoa fica entre R$ 10 mil e R$ 16 mil. No valor, geralmente já estão inclusos hospedagem em hotéis, aluguel da moto e combustível para máquina. 

     

    Normalmente, nesse tipo de pacote turístico, os quase 4 mil km da Rota 66 são percorridos em verdadeiros fenômenos sobre duas rodas, como é o caso dos modelos Harley-Davidson. Durante cerca de 15 dias, os motociclistas vão avançando na estrada e parando em cidades para pernoitar. Além das belezas naturais do oeste americano, ainda é possível conferir as atrações turísticas presentes nas cidades visitada. O caminho só é de ida. Quando se chega ao destino final, é hora de voltar para casa no avião.

    Mário gostou tanto da viagem que pensa em voltar no ano que vem (Arquivo Pessoal/ Divulgação)
    Mário gostou tanto da viagem que pensa em voltar no ano que vem

    Rota ilustre 

    A Rota 66 começou a funcionar em 1926, começando no estado americano do Illinois e passando pelos estados do Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México e Arizona até terminar na Califórnia. Todo o percurso vai do centro-oeste dos Estados Unidos e praticamente corta o país em direção à costa oeste, tendo a extensão de aproximadamente 3.755 km. Além do tamanho, a Rota é tratada como figura ilustre hoje pela ajuda que deu no desenvolvimento do país. Sua importância também cultural já é reconhecida até pelo governo norte-americano. A Rota 66, inclusive, já foi homenageada diversas vezes por produções de Hollywood, como nas animações da Disney Carros 1 e 2 como os exemplos mais recentes.

    Serviço
    Apex Travel (São Paulo)
    (11) 3722.3000

    Personal Brasil Tour Operator (Curitiba)
    0800 600 5580


    16,jul,2012 | alex | Sem Comentário | Tags:

Sobre o Autor

Ricardo Alex

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