Emergentes ampliam gastos e reforçam consumo.

  • Nova classe média não tem limitações para realizar velhos sonhos

    14/03/2012 – 23h05 . Atualizada em 15/03/2012 – 06h28

    Celulares, computadores, televisores com tela de LED ou LCD, geladeiras frost free. Ou uma vaga na faculdade.

    A lista de itens de consumo da nova classe média brasileira só faz crescer – e se sofisticar a cada dia. A ascensão das faixas C, D e E na pirâmide socioeconômica gerou milhões de compradores, todos ávidos por produtos que confiram status e realizem seus sonhos de consumo.

    Hoje, Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, essa legião emergente mostra toda a sua força: na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o potencial de consumo, considerando apenas a classe C, atingiu R$ 11,12 bilhões. E isso no ano passado.

    Mas a região tem características próprias, e diferentes do que acontece no restante do País: vivemos aqui uma segunda onda de deslocamento de famílias entre as classes sociais. Fugindo do padrão médio brasileiro, e reproduzindo o comportamento de grandes centros econômicos, os consumidores da faixa C já estão ascendendo para a B – e elevando o poder de consumo desse extrato social.

    Estudo realizado pela consultoria IPC Marketing mostrou que o potencial de consumo desse segmento social passou de R$ 12,15 bilhões para R$ 26,79 bilhões entre os anos de 2006 e 2011 na RMC – uma explosão de mais de 120%. Já a participação dessa gama de consumidores no total de potencial de consumo da RMC passou de 41% para 51% em cinco anos.

    O volume gasto pela classe C com produtos e serviços também apresentou alta – o valor subiu de R$ 6,77 bilhões para R$ 11,12 bilhões (64% de crescimento). Por outro lado, sua representatividade no bolo geral da região caiu: em 2006, esse extrato correspondia a 23% do total, e baixou para 21% no ano passado.

    Esses números reforçam a tese do especialista da IPC, Marcos Pazzini, de que o mercado local vive a segunda fase do impacto da equação entre renda e emprego em alta.

    E embora os dados sejam todos positivos, ainda resta um problema – que é mais grave quanto mais esses dados se mostram robustos: o brasileiro emergente não tem a mínima educação para o consumo, e quase sempre acaba se endividando mais do que deve – ou que pode.

    Especialistas são unânimes em afirmar que o brasileiro está consumindo muito e ganhando mais, mas não tem a menor preocupação em poupar ou planejar o futuro, mesmo que no médio prazo. O que explica pelos muitos anos de desejo de consumir represados por uma renda pífia e o medo constante de perder o emprego. Removidas estas travas, o que se vê é essa corrida desenfreada às lojas. Quaisquer lojas.

    Mercado 
    A professora da Universidade Mackenzie, Renata Queiroz, afirmou que os eletroeletrônicos se converteram em verdadeiros ícones de status para a classe emergente. “O fator desejo influencia muito no comportamento de compra”, disse. “E ainda não há estudos sobre os diferentes públicos que formam a nova classe média, dado que o fenômeno é recente. Quando o mercado conhecê-los melhor, criará produtos e serviços voltados a cada um dos nichos”, afirmou.

    Para Renata, vários setores estão sendo afetados pela voracidade do consumo da nova classe média. “Não são apenas os bens de consumo. Essas pessoas estão buscando educação em escolas privadas e planos de saúde. E viajam mais”.

    A professora do curso de Gestão Estratégica de Atendimento e Serviços da IBE-Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rosa Perrella, concorda – e explica: essa efervescência toda no mercado consumidor é fruto da facilidade de crédito. A professora da Escola Superior de Administração, Comunicação e Marketing (Esamc) Campinas, Larissa Ortiz, afirmou que o novo consumidor não se pauta apenas por preço. “Ele valoriza boas marcas e está aprendendo a sofisticar suas compras”, disse.


    16,mar,2012 | alex | Sem Comentário | Tags:

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Ricardo Alex

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