Facebook – A vida como ela não é.

  • Já teve a sensação de que é a única do grupo a não arranjar tempo para ir a todas as festas, dinheiro para conhecer países incríveis, opinião para falar sobre os filmes mais badalados e os livros mais vendidos? Se você está no Facebook, provavelmente já. Afinal, a vida é só sorrisos nessa rede, que conta com mais de 31 milhões de usuários. “As pessoas não querem ter contato com coisas incômodas”, acredita a designer Elisa Stecca, autora do livro Hoje É o Dia Mais Feliz da Sua Vida (Matrix) e frequentadora assídua da rede social. Para ela, há até uma perseguição aos pessimistas e mal-humorados. Como temos problemas demais, quem é que gosta de acompanhar os dos outros em tempo real?

    A questão não se resume à simples vontade de tornar o mundo mais leve. O ator e diretor Otávio Martins, em cartaz em São Paulo com a peça Circuito Ordinário, define os perfis no Facebook como avatares do ego. “As pessoas são ali como querem que as vejam. Não se trata de livre expressão, porque quem se mostra como é está dando a cara a tapa.” É natural ter receio de mostrar publicamente as limitações e os defeitos, assim como nos satisfaz dividir aspectos positivos da nossa existência. Isso acontece em qualquer relação, inclusive longe da internet. Você vai a um encontro e conta da última viagem, do vinho que provou noite dessas – não da briga feia com a sua mãe. “A diferença é que ocultar as fraquezas nesse caso tem a ver com a busca por uma aproximação com o outro”, avalia o psicólogo clínico e organizacional Walter Mattos, de São Paulo. Segundo ele, há dois grupos de facebookers: o que procura ser cauteloso na autoexposição e o que usa a ferramenta como substituição da realidade. Este último é formado por pessoas que nutrem um desejo narcísico de chamar a atenção, colecionar o máximo de “amigos” que puder e construir uma imagem de si mesmas mais próxima da perfeição. “Copiam e colam poemas, textos e frases de efeito como se tentassem ser aquilo que está escrito. Postam dezenas de fotos, desejosas de receber mensagens positivas e afetuosas, que se contrapõem à rudeza do mundo real”, observa Mattos.

    Mas ser elogiada faz muito bem à saúde! O importante é verificar até que ponto se é dependente do conforto emocional virtual, da aprovação alheia a cada minuto. Será que trocar a foto no Face e não receber um mísero “curtir” é motivo legítimo para se acabar num pote de sorvete? “Acredito na capacidade do ser humano de encontrar soluções para os problemas que ele mesmo cria, fazendo, para isso, uma autoavaliação”, afirma Mattos. “Assim, você enxerga se é do time que enfrenta suas questões pessoais ou se tem preferido se esconder no mundo da fantasia. A escolha é de cada um.”

    Matéria publicada na revista Claudia 06/12/2011 por João Luiz Vieira

    Assista também a matéria da Globo News sobre o Facebook.


    14,jan,2012 | alex | Sem Comentário | Tags:, ,

Sobre o Autor

Ricardo Alex

Deixe seu comentário

* Nome, Email e comentário são obrigatórios