”Harleyros” e golfistas, William e Ricardinho duelam na final

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    Levantador do Sada Cruzeiro foi reserva e aluno do experiente do Vôlei Futuro. Agora, serão rivais na decisão
    Aretha Martins, iG São Paulo

    Ricardinho e William são os levantadores e capitães dos finalistas da Superliga masculina Vôlei Futuro e Sada Cruzeiro. Além disso, já foram professor e aluno no começo dos anos 2000 e dividem paixões fora das quadras, como as motos Harley Davidson e o golfe.

    A amizade começou quando defenderam o time de Suzano. Ricardinho era titular e William, o reserva na posição. “É um cara que acredito que sugou muita coisa naquele período”, afirma Ricardinho. “Aprendi muito com ele e gosto deste vôlei arte”, concorda William. Eles ainda vestiram a camisa da equipe de Três Corações antes de seguir para fora do Brasil. Ricardinho fez fama na Itália, e William foi tetracampeão nacional na Argentina.

    A distância não acabou com a amizade, mas tudo ficou mais fácil na temporada 2010/2011, quando Ricardinho fechou com o Vôlei Futuro e William, com o Sada Cruzeiro. “Gosto muito dele. A gente tem se ‘acompanhado’ mais nesses dois últimos anos, quando voltamos para o Brasil. E temos algumas coisas em comum. Ele é “harleyro” igual a mim, por exemplo”, comenta Ricardinho .

    Fora das quadras, outro ponto em comum é o golfe. William diz que, quando morava na Argentina, chegou a pensar em trocar a quadra pelo gramado com o sonho de disputar as Olimpíadas de 2016, já que a modalidade é bem estruturada na Argentina.

    Para Ricardinho, as tacadas ainda são uma brincadeira. “Eu tenho meus tacos, mas eu não sou craque e ainda arranco uns toletes de grama”, fala.

    Dentro das quatro linhas, o aluno do vôlei também superou o professor. De acordo com as estatísticas da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), William é o melhor levantador da Superliga 2011/2012, com 39,68 de eficiência. Ricardinho não aparece entre os 10 melhores.

    Ricardinho comanda o Vôlei Futuro na primeira final de Superliga da equipe de Araçatuba
    Ricardinho comanda o Vôlei Futuro na primeira final de Superliga da equipe de Araçatuba Foto: Divlugação/CBV

    Apesar do desempenho, William ainda aposta em Ricardinho, e não nele, como uma surpresa na lista de convocados da seleção brasileira para as Olimpíadas de Londres. “Faço coro por Ricardinho na seleção. Acho que ele teria muito a agregar no time e, em uma Olimpíada, é preciso ter um cara com mais experiência”, explica. Mas o jogador do Sada Cruzeiro se esquiva quando a pergunta vira para ele. “Eu não penso nisso. Quero só as minhas férias depois da Superliga”, fala em tom de brincadeira.

    Longe do Brasil, mas perto da Argentina
    William passou pelas seleções de base do Brasil, mas não ganhou espaço no time adulto. Nos tempos da Argentina, começou o processo para defender o país. “Tinha que provar que estava trabalhando e tinha muita burocracia. Eu tinha começado a ver tudo, mas recebi a proposta do Sada Cruzeiro e fiquei no empasse”, lembra.

    A família pesou na decisão do levantador. “Tinha a pressão deles, que queriam me ver jogando. E tenho uma irmã de 43 anos que começou a jogar vôlei. Isso não tem preço”, comenta.

    Mas a rivalidade Brasil x Argentina não iria interferir na decisão de William. “Não teria problema nenhum em vestir a camisa azul-celeste e ter a chance de disputar uma Olimpíada”, diz.

    Agora, amigos e seguidores do que eles chamam de “vôlei arte”, com jogadas rápidas e fintas, se enfrentam na decisão da Superliga. Sada Cruzeiro e Vôlei Futuro buscam o título inédito no torneio no sábado passado, no ginásio poliesportivo de São Bernardo do Campo. “Fico feliz em jogar essa final contra ele”, afirma William.

    Atualização da matéria.

    Emoção foi o que não faltou,  na decisão da Superliga Masculina de Vôlei, no Ginásio Poliesportivo, em São Bernardo. E com todos os ingredientes básicos de uma final (polêmica, discussões, disputa acirrada), o Sada/Cruzeiro sagrou-se campeão ao derrotar o Vôlei Futuro, de virada, por 3 sets a 1 (26/28, 25/18, 25/13 e 25/19) e, dessa maneira, conquistou seu primeiro título nacional.

    Para se ter uma ideia do clima tenso de decisão, logo no início da partida, Camejo acertou a bola na linha, e os atletas do time de Araçatuba reclamaram com o árbitro pedindo bola fora. Mas o cubano do Cruzeiro não gostou e reclamou puxando a rede, o que gerou a revolta de Lorena e culminou com cartões amarelos distribuídos para três jogadores em menos de quatro minutos de jogo.

    Depois de algum tempo, a temperatura esfriou. Apostando no bom desempenho de Lorena, o Vôlei Futuro fechou o primeiro set com vitória de 26 a 28, para alegria dos quase 3.000 torcedores da equipe do Interior presentes no Poliesportivo.

    Só que a alegria dos paulistas durou pouco. Aguerrido, o time mineiro voltou para o segundo set com bastante força no saque e não cometeu os erros de bloqueio da primeira etapa, deixando os paulistas perdidos em quadra. Dessa maneira, o Cruzeiro venceu a etapa por 25 a 18.

    Se o empate caiu como uma ducha de água fria sobre o Vôlei Futuro, a situação começou a piorar quando logo no começo do terceiro set, o principal pontuador da equipe (e da Superliga), Lorena, se machucou e teve de ser substituído. A ausência do jogador deixou a equipe preocupada. E seu substituto, Leozão, não obteve o desempenho esperado. Com Ricardinho sobrecarregado, o que se viu foi o Vôlei Futuro perdido em quadra e o Sada/Cruzeiro se aproveitando da situação para fechar a etapa com facilidade: 25 a 13.

    A tensão e o desespero tomavam conta da torcida paulista. Mas o Vôlei Futuro se reergueu emocionalmente e partiu para o quarto set com sede de vitória. Mas o máximo que conseguiu foi abrir pequena vantagem de dois pontos, rapidamente recuperada pelos mineiros.

    Com 14 a 12 a favor, Lorena se recuperou e voltou para o jogo. A equipe paulista demonstrou melhora, mas não foi suficiente. Tanto que o Cruzeiro virou. E quando o placar apontava 23 a 19 aos mineiros, nova polêmica. O levantador William, da equipe de Minas Gerais, marcou o penúltimo ponto e comemorou como se já tivesse sido campeão. A euforia deixou os jogadores do time paulista enfurecidos.

    “Fui feliz e quis chamar minha torcida para o último ponto, como ela estava do outro lado da quadra, ficou parecendo provocação”, justificou. Mas depois, os ânimos se acalmaram, o Cruzeiro marcou o ponto decisivo e fechou o placar de 25 a 19, que decretou o título da Superliga aos mineiros.

     

    William destaca espírito de final; Ricardinho lamenta

    Em uma decisão, muitas vezes a raça e a força de vontade prevalecem sobre a técnica e a tática. Foi o que aconteceu com o Cruzeiro, na partida de ontem, segundo relatou um dos heróis do título da Superliga, o levantador William Arjona.

    “Obviamente que, para conquistar um título, a equipe precisa ter técnica e ser organizada taticamente. Mas durante a partida, deixamos tudo isso de lado. Chega uma fase do jogo em que o que manda são o espírito, a vontade, a raça. A gente até esquece quem ataca e quem defende. Estou esgotado mentalmente, mas feliz com a conquista. Nosso time se comportou como verdadeiro campeão”, destacou William.

    Do lado do Vôlei Futuro, as lamentações giraram em torno das próprias falhas da equipe. “Faltou pressionar um pouco mais no saque, que era nossa principal arma. O saque não entrou. A lesão do Lorena atrapalhou também, isso prejudicou meu jogo. Mas o Sada está de parabéns. Não temos que reclamar da derrota ou colocar a culpa em alguém”, analisou o levantador Ricardinho TB.

    Fonte: dgabc


    26,abr,2012 | alex | Sem Comentário | Tags:

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Ricardo Alex

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