Mudanças: boas, ruins ou apenas necessárias??

  • Antes de começar este ensaio, gostaria primeiramente de dizer que nada tenho contra mudanças, avanços tecnológicos ou até mesmo atualizações.

    Desde um tempo venho observando atentamente, pelo menos nos últimos 20 anos as mudanças que vem sendo implementadas nas diversas linhas de motocicletas da Harley….algumas, ao meu ver, extremamente positivas, outras talvez nem tanto e, claro, há aquelas que eram mais do que necessárias.

    Estou neste meio há praticamente 20 anos…desta forma, acompanhei a introdução de muitas das inovações que hoje são mais do que essenciais.

    A começar, vi a eliminação completa do uso da transmissão por corrente, quando andei pela primeira vez numa Harley, foi numa Sportster 883 ano 1992, cuja transmissão secundária era feita por corrente, definitivamente abandonada em 1993.

    Acompanhei toda transição da existência de chassis com rubber-mount em 3 pontos (FXR) pela linha com dois pontos (Dyna Glide), que se completou em 1995, e neste mesmo ano o início da eliminação do cabo dos velocímetros (em 1996)….tudo isso, muito benéfico, claro!

    Talvez o que mais abalou os entusiastas naquela época foi a comemoração dos 30 anos da linha Electra Glide. Não, a controvérsia não se seu pela idade do modelo….mas pela primeira vez que foi introduzida a injeção de combustível numa Harley-Davidson.

    O ano seguinte, viu o ínicio do abandono do tanque peanut de 2.2 galões….ao meu ver, uma marca tradicionalissima das Sportster….sim o 3.3 gal. é um pouco melhor e tem o look igual….mas há certas coisas que são puramente tradicionais. 1996 também viu o que se foi chamado de high contact gear ratio e atualizado sempre anualmente….em outras palavras, atualizações com o objetivo de reduzir os ruidos mecânicos do câmbio, aquele “clunk” tradicional do engate da primeira marcha.

    Mas, ao invés de enumerar ano-a-ano as mudanças, houve algumas alterações que mais chamaram a atenção, e aos poucos, deixou com que as Harleys modernas perdessem um pouco daquele look tradicional.

    Quando aprendi a gostar de Harleys, as Dyna possuiam o charmoso “eyebrow” – o chapéuzinho em cima do farol, Sportster tinham tanque de 2.2 e 3.3 galoes e não um tanque grande de 4.3. gal., escapamentos emulavam um ruido rítimico e característico e não acelerado, Dyna Wide Glide tinha um guidão ape hanger e paralamas bobtail que a identificava de longe, bem como a linha Softail sempre havia um clássico modelo com frente FX e paralamas bobtail (me perdoem aqueles que consideram a Blackline uma legítima Softail), para não dizer o gradual sumiço das suspensões Springer.

    Ok, Softails e Sportster vibravam e impediam longas viagens, mas ao mesmo tempo as sensações sentidas por elas se foram junto com o aparecimento de contrabalanceiros e coxins de borracha.

    Muitas destas mudanças foram implementadas com base nos dados trazidos por clientes, cuja base vinha envelhecendo progressivamente, e tornando as motos menos atraentes a uma parcela grande de prospectivos compradores, como jovens, mulheres e minorias. Além de dados de vendas fizeram com que modelos desaparecessem e mudanças técnicas acontecessem, dois exemplos aqui foram a franca eliminação das suspensões Springer (caras e requeriam uma manutenção um tanto mais frequente) e o guidão buckhorn (que outrora fora standard em muitos modelos grandes).

    Sim, embreagens duras, motos que chacoalham, mecanicamente barulhentas, com engasgos de carburadores talvez não fossem o mais atrativo para esta nova base, assim, mais uma descaracterização por uma mudança dos tempos aconteceu: Observamos cada vez mais modelos com menos cromo e mais adereços pretos, um chamariz para consumidores jovens e assim chamando uma linha que engloba as diversas famílias como “Dark Custom”.

    Pergunto-me, onde iremos parar? Sim mudanças e atualizações são necessárias, mas perder características que tornam uma Harley….Harley muito me assusta.

    Rumores que um dia teremos motocicletas Touring com arrefecimento a água (desde o lançamento da linha V-Rod, esse fantasma paira no ar)….o conhecimento de que o motor refrigerado a ar em um determinado momento não mais cumprirá as normas de emissão do EPA, preocupam-me, pois a alma da motocicleta sempre foi o motor com dois cilindros em V a 45 graus.

    Deste mesmo orgão, foi o que causou a eliminação do carburador, e tornando os motociclistas cada vez mais dependentes de dealers para instalação de componentes e modificação de motores.

    O rumo por onde a Companhia anda se enveredando realmente é algo a se pensar, será que o tradicionalismo um dia será deixado de lado??

    Por muito tempo, o modelo de entrada na família Harley era uma Sportster 883, ainda que de forma simplória, retinha o look HD….coisa que a XL883L – Sportster 883 SuperLow, não tem muito. E, segundo os ultimos rumores, a própria linha de entrada não está sendo suficiente para trazer novos clientes por serem pesadas. Em entrevista recente, Matt Levatich já revelou que está em desenvolvimento um modelo de entrada, menor que as Sportys e com o objetivo de cobrir o buraco deixado pela Buell Blast.

    Termino aqui, mostrando a vocês, como considero um look tradicional de uma Harley e sugiro, que se compare com imagens de modelos recentes e tentem observar onde a tradição foi ou não mantida.

    Como aprendi a apreciar uma Sportster….esta uma XLH 1200 – Sportster 1200 ano 1991 em Bright Candy Red Sunglo.

    Guidão Buckhorn, tanque peanut de 2.2 galões, espelhos quadrados, piscas tipo “besourão” …algo que sempre para mim “gritava” Harley. Comparem com a XL883 Low 2005, abaixo e com a Sportster 1200 Low de 2010

    Sportster 1200 Low de 2010

    XL883 Low 2005

    Aqui em seu ano de despedida, um dos melhores chassis que a HD já produziu, o FXR, e este um dos modelos mais legais da família Low Rider…..modelo 1994 FXLR Low Rider Custom (o guidão da atual Blackline tem insipiração aqui).

    Também do ano 1994 é uma já extinta FXDL Dyna Low Rider…mais uma vez, vejam o “eyebrow”, highway pegs, guidão buckhorn…muitas das características abandonadas gradualmente, basta comparar com a FXDL Dyna Low Rider de 2008 e com a FXDC Dyna Super Glide Custom de 2010 da foto abaixo – quase não se parecem!

        

    See you on the road,

    Dan Morel

     


    14,jan,2012 | alex | 1 Comentário | Tags:

Sobre o Autor

Ricardo Alex

1 Comentário e Aumentando..

  • nao vi nenhum comentario da Deuce!!acho interessante releembrar sobre esse modelo!!!

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