O grande ataque das pequenas esportivas

  • Carlos Bazela

    Elas têm estilo próprio e conquistaram de vez o motociclista brasileiro. Sucesso na Europa já há alguns anos, as motos esportivas de baixa cilindrada se tornaram as novas vedetes do mercado nacional de duas rodas. Segundo a Abraciclo, associação que reúne os fabricante de motos, o segmento entre 150 e 450cc, que inclui as pequenas esportivas de 250cc, somou no primeiro trimestre desse ano 44.414 motos vendidas. Parece pouco em relação aos números gigantescos da faixa das 125 e 150cc, mas já é o segundo nicho mais concorrido do Brasil, correspondendo a 9,6% do mercado.

    Caracterizadas pela carenagem integral, pedaleiras recuadas e posição de pilotagem mais agressiva, as mini-esportivas diferem das suas irmãs maiores em termos de motor e desempenho, mas garantem boas doses de adrenalina por um preço mais acessível. Além disso, se apresentam como uma alternativa às tradicionais motos street de 250cc que vemos pelas ruas.

    Hoje, são quatro os modelos que brigam pela preferência do motociclista brasileiro no grupo das esportivas de 250cc. Entre elas, estão a Kawasaki Ninja 250R e Kasinski Comet GT 250R, que chegaram ao mercado em 2007 e 2009, respectivamente e, juntas, já venderam mais de 22 mil unidades. Mais uma vez, parecem números menores, mas quando comparamos com as outras motos esportivas à venda no Brasil, cada uma representa 20% do mercado. Além das recém-chegadas Dafra Roadwin 250R e Honda CBR 250R.

    A guerra dos motores
    Para rivalizar com a Comet 250 e com a popular “Ninjinha”, ambas equipadas com motores bicilíndricos, outras marcas entraram na briga, mas optaram por motores de apenas um cilindro que, em teoria, possuem maior torque em baixas rotações.

    É o que acontece com a Honda CBR 250R, importada da Tailândia e que chega às concessionárias da marca este mês. “O motor foi construído para ter muito torque em baixa rotação. Aí que ele leva vantagem sobre a concorrência, principalmente as bicilíndricas”, afirmou o engenheiro da Honda, Alfredo Guedes Jr, sobre a novidade, que traz ainda uma opção com o freio Combined ABS, algo inédito no segmento. A previsão da Honda é vender 680 CBR 250R/mês.

    Já a Dafra Roadwin 250 chegou ao mercado brasileiro ainda mais cedo, em fevereiro deste ano. Primeiro fruto da parceria com a coreana Daelim, a versão nacional teve a lanterna traseira remodelada e, segundo o presidente da marca, Creso Franco, prima pelo conforto ao pilotar. “A Roadwin tem uma série de detalhes que tornam a sua pilotagem mais confortável, sem perder a esportividade”, afirma o executivo, acrescentando que a projeção inicial era de vender 300 motos por mês.

    As diferenças
    Outro ponto que difere as quatro motocicletas é o preço. Disponível em uma versão única, a Roadwin sai na frente ao ser oferecida por R$ 12.490. No entanto, a mini-esportiva da Honda chega com preço semelhante ao das veteranas – leia-se Comet (R$ 14.990) e Ninjinha (a partir de R$ 15.550) – e parte de R$ 15.490 e chega a R$ 17.990 na versão com o C-ABS.

    Mas isso parece não estar afetando muito a concorrência, que continua confiante no sucesso galgado até então e não fala em alterações de preço. “Não precisamos mudar nada. Nosso produto oferece mais recursos. Potência, velocidade final e design sofisticado”, afirma Ricardo Suzuki, gerente de planejamento da Kawasaki Brasil.

    O mesmo acontece com a Kasinski. Segundo Rogério Scialo, diretor Comercial e Marketing da CR Zongshen, não há previsão de qualquer mudança na Comet, tanto mecânica, como em preço sugerido. “A Kasinski foi a primeira a trazer algo do gênero [esportiva de 250cc]. Não teria motivo para diminuirmos o preço de nosso produto”, diz.

    Todavia, o diretor confirma o lançamento de outro modelo monocilíndrico dentro deste segmento já para o início de 2013, que seria uma alternativa ao “V2” atualmente adotado pela marca. Tudo indica que a moto em questão seja a Comet SR com motor de 150cc, exposta pela marca no último Salão Duas Rodas.

    Com novidades chegando ao mercado agora e outras ainda para vir, as mini-esportivas estão consolidando cada vez mais o seu espaço e mostrando que atitude e estilo de pilotagem agressivo não precisam necessariamente ser sinônimos de motocicletas caras e alta velocidade.

    Primeiro degrau
    Um detalhe entre as mini-esportivas é o fato de elas representarem um novo degrau na evolução do motociclista. Se antes a faixa das 250cc representava um piloto que naturalmente estava deixando as streets de 125/150cc, com as esportivas isso não acontece, sendo que grande parte dos pilotos já vai direto para ela após tirarem a habilitação e as utilizam como preparação para as motos maiores.

    “Na nossa avaliação, 30% [dos proprietários] vem das 150cc e 70% já vai direto pra a Comet 250”, afirma Rogério Scialo, da Kasinski, reforçando que o modelo de 250cc também é grande responsável pelas vendas da Comet GT 650R, a esportiva de média cilindrada da marca. “Ela [a GT 250R] é a porta de entrada para o ‘mundo speed’. A maioria dos consumidores chega na concessionária e fala: “depois eu venho buscar essa aqui, referindo-se à Comet 650”, finaliza.

    O mesmo ocorre entre os compradores da Ninja 250R. “Metade dos nossos consumidores já tinha uma moto, a outra metade é formada por um público entrante”, comenta Ricardo Suzuki, que ainda frisa as características da pequena Ninja nas pistas. “Muitos motociclistas também a procuram como uma alternativa de baixo custo de manutenção para um trackday, ou seja, roda em um autódromo”.

    Ainda que iniciante no segmento, pelo menos no Brasil, a Honda também já tem conhecimento desta particularidade do mercado, como revela o presidente da marca, Issao Mizoguchi. “A CBR 250R é uma motocicleta para se iniciar no segmento das motocicletas premium”, conclui.

    Fotos: Divulgação e Infomoto

    Fonte:
    Agência Infomoto


    20,maio,2012 | alex | Sem Comentário | Tags:

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Ricardo Alex

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